| 3 - A Água na Piscicultura |
|
|
|
"Independentemente das condições topográficas, tamanho do terreno, tipo de solo, o que vai definir o modelo de piscicultura e o melhor sistema de criação a ser implantado é a quantidade e a qualidade da água." (Huet, 1978) A água é o composto considerado como a essência do planeta e domina por completo a composição química dos seres vivos, além de ser o meio onde vivem os peixes. Uma água boa para o pescado nem sempre é uma água boa parar bebermos. Ela deve conter uma série de componentes na medida certa. A produção de um viveiro está diretamente relacionada com a qualidade da água que o abastece. A seguir apresenta-se uma descrição dos principais fatores abióticos da água que geram efeitos sobre a vida aquática, e suas insterações: Temperatura - A temperatura da água é um dos principais fatores que afetam o desenvolvimento e a vida dos peixes. Reprodução, alimentação, defesa imunológica, etc., estão intimamente ligadas à temperatura da água. Isso porque os peixes são animais ectotérmicos, isto é, a temperatura do seu corpo é influenciada pelo ambiente. Existem temperaturas ideais para alimentação, reprodução, resistência a doenças para cada grupo de peixes. Outra importância é que os níveis de oxigênio dissolvido (OD) tem uma relação inversamente proporcional ao aumento da temperatura, ou seja, quanto mais subir a tempuratura da água menor será a quantidade de OD disponível para os animais. Transparência - A transparência é uma medida diretamente relacionada com a quantidade de matéria orgânica, plâncton, materiais em suspensão decorrentes das chuvas, etc., presente na água. Quando a transparência está relacionda a partículas de argila e silte em suspensão a água fica a água apresenta uma coloração na cor de café (água barrenta). No caso de estar relacionada a excesso de plâncton a água apresenta coloração esverdeada. O estabelecimento de uma transparêncial ideal para piscicultura é muito difícil, mas está comumente ente 40 a 60cm. Tanques muito transparentes (mais de 60cm) favorecem o desenvolvimento de macrófitas. Já a transparência menor de 40cm indica excesso de matéria orgânica e conseguente diminuição dos níveis de OD. Outro problema é o excesso de partículas de argila que grudam nas brânquias e causam problemas de respiração nos peixes. Para medir a transparência da água utiliza-se o Disco de Secchi, que consiste em um disco de aproximadamente 20cm de diâmentro divido em 4 partes iguais, sendo duas brancas e duas negras, dispostas alternadamente. Uma fita métrica é presa ao disco e este é mergulhado na água. Daí mede-se a profundidade máximo que o disco consegue ser visto com clareza. Oxigênio dissolvido (OD) - O oxigênio é o gás mais importante para os peixes. As fontes de O2 são a atmosfera e a fotossíntese. Em ecossistemas aquáticos esse gás é consumido de diversas formas, como se segue: decomposição da matéria orgânica, respiração e oxidação de metais. Sabendo-se da importância do OD para a piscicultura, o produtor deve se preocupar com esse fator de forma que o seu sucesso estará diretamente ligado ao seu esforço no seu controle. Assim sendo, antes de se ininciar uma piscicultura deve-se observar se há quantidade de água suficiente, e de qualidade, caso contrário o produtor deverá lançar mão de artifícios para controlar o O2, como por exemplo, o uso de aeradores, oxigenadores, filtros biológicos, etc. O horário ideal para controle dos níveis de OD é logo pela manhã, pois durante a noite todos os orgânismos do viveiro (peixes, algas, microrganismos, plâncton, etc.) consomem O2. Portanto, são nas primeiras horas da manhã que a concentração de OD se encontra crítica, o que pode ocasionar problemas crônicos nos peixes e até a morte. Gás Carbônico - É uma gás que apresenta uma grande importância para o meio aquático. Esse gás pode causar problemas para a piscicultura, no entanto, seus efeitos mais deletérios estão relacionados com problemas de asfixia que pode provocar. Considerando-se os processos naturais no ambiente, altas concentrações de CO2 ocorrem, particulamente, em tanques após morte maciça de fitoplâncton ou em dias nublados.
Os peixes geralmente vivem em pH na faixa de 5,0 a 9,5, mas o melhor para a piscicultura tropical é pH na faixa de 7,0 a 8,0 (neutro ou ligeiramente alcalino). Mas o mais importante é que a maioria dos peixes não sobrevive a grandes variações de pH, mesmo que o valor absoluto não saia da faixa de tolerância. Ex.: variação brusca de 8,5 a 6,5 pode ser fatal. O pH varia em função de uma série de fatores e, por isso, é recomendável monitorá-lo sempre. Fatores como excesso de algas, vegetais e fitoplâncton provocam acidificação da água. Excesso de ração ou mesmo estresse dos peixes provocará aumento acentuado de liberação de amônia, o que também irá acidificar o meio. Alcalinidade - É capacidade da água de neutralizar ácidos. Refere-se a concentração total de sais na água, sendo expressa em equivalentes de carbonato de cálcio (CaCO3), bicarbonato (HCO3), hidroxila (OH), sais orgânicos entre outros que são capazes de neutralizar íons H+. Para tanques de piscicultura saõ desejáveis valores de alcalinidade acima 20mg/l, sendo que valores entre 200 a 300mg/l são os mais indicados. Dureza na água - Grosseiramente a dureza da água pode ser definida como sua capacidade de resistir as mudanças de pH durante o transcorrer do dia. É importante dizer que de correlacionadas, dureza e alcalinidade, não significa que sempre que tivermos uma água muito alcalina ela terá alta dureza. Condutividade elétrica - É a medida direta da quantidade de íons na água (teor de sais na água). Altos valores de condutividade significa altas taxas de decomposição de matéria orgânica e isso é um parâmentro para quantidade de nutrientes disponíveis ou mesmo indício de problemas com poluição da água. Os valores desejáveis para criação de peixes ficam entre 20 e 100mS/cm. Fósforo - Este elemento pode originar-se do intemperismo de rochas, excreta de animais, detergentes e de fertilizantes químicos. Sua importância para o ambiente aquático está no fato de armazenar energia (ATP), faz parte da estrutura da membrana celular e é o fator limitante do desenvolvimento dos orgânismos produtores primários. Ele é responsável pela eutrofização natural da água. O Fósforo orgânico ou inorgânico, pode apresentar-se na forma solúvel. Enxofre - O enxofre pode apresentar-se sob diversas maneiras. Dessas, as mais comuns são o íon sulfato e o gás sulfídrico, sendo a primeira forma a mais importante para os orgânismos produtores. Em condições drásticas de queda do teor de OD na água, o gás sulfídrico formado pela ação dos decompositores, acumula-se na porção mais profunda do viveiro causando a morte dos organismos que ocupam esta parte do tanque. Nitrogênio - O nitrogênio se origina de aportes fluviais e lençóis freáticos, da decomposição da matéria orgânica e da fixação biológica. Esse elemento também ocorre sob várias formas porém as mais importantes são o N2amoniacal (NH3/ NH4+) e sob a forma de nitratos e nitritos (NO2- e NO3-, respectivamente). A maior vantagem da assimilação do amônio é que o mesmo pode transformar-se em amônia não ionizada que é um gás tóxico aos animais em altas concentrações.
comentarios (1)
Powered by !JoomlaComment 4.0 beta1
!joomlacomment 4.0 Copyright (C) 2009 Compojoom.com . All rights reserved." |






maneira de acabar ou diminuir este problema. Os girinos são outra situação complicadora se houver alguma maneira de dirimir tambem esta situação -
Abraços - Celso